sábado, 8 de agosto de 2009

MEDIDAS DE PROTEÇÃO

Uma coisa muito ruim da prevenção de acidentes brasileira é a posição em que
foram colocados os equipamentos de proteção individual. É preciso que fique
claro que o EPI tem e terá sempre com certeza um lugar de grande
importância dentro de nossa área e que talvez este espaço adequado e correto
tenha sido deixado de lado devido ao uso indiscriminado e sem maiores
critérios. Esta questão precisa ser revista e o papel do EPI resgatado
dentro do contexto prevencionista.

Talvez por conta desta disseminação sem critérios tenha surgido o
entendimento entre a maioria dos trabalhadores de que prevenção de acidentes
é EPI. É interessante notar que quando conversamos com trabalhadores - não
todos - mas com certeza a maioria e falamos que somos da área de prevenção
de acidentes eles logo dizem "CIPA", "SIPAT" ou mencionam algum tipo de EPI.
Lamentável que depois de tantos anos de atuação nossa área chegue até nossos
principais clientes vista desta forma. Isso demonstra o quanto nossa
comunicação é falha - mesmo para aqueles com os quais convivemos boa parte
de nossos dias e vidas. Por extensão fica fácil entender o quanto a
sociedade de uma forma geral não sabe o que fazemos e por consequência - não
pode mesmo valorizar nosso trabalho. Olhar a prevenção apenas da ótica do
EPI e da SIPAT é quase a mesma coisa do que olhar a Medicina apenas através
da injeções e cirurgias.

Mesmo entre nós é preciso que surja uma cultura de trabalhar conjuntamente
as Medidas de Proteção. Na verdade este conceito nada tem de novo, pois ao
longo dos anos foi simplesmente o que fizemos e fazemos até hoje. Falta -
como sempre faltou a nossa área - a capacidade e o interesse para torna-la
mais organizada e visivel - as ações para tornar as práticas e conhecimentos
prevencionistas um só conjunto, em uma só linguagem.

O que são Medidas de Proteção ? O conjunto de ações técnicas e
administrativas, programas e equipamentos coletivos e/ou individuais
planejados, elaborados e implementados com o objetivo de proteção do homem.
Isso quer dizer em suma - a reunião de tudo que fazemos dentro de uma
empresa para o desenvolvimento das atividades dentro dos padrões de
segurança, vejamos abaixo um desenho que apresenta alguma coisa sobre isso:


MEDIDAS DE PROTEÇÃO

SISTÊMICAS COLETIVAS INDIVIDUAIS

Autorização para Execução de Serviços Ventilação / Exaustão
Exames Médicos Ocupacionais

Avaliação e Controle Ambiental Cabines Acústicas
Treinamentos Qualificação para a Função

Planos de Emergência Barreiras de Proteção Equipamentos
de Proteção Individual


Tenho convicção de que na grande maioria das empresas poucas pessoas - e
entre estas - muitas que ocupam cargos de supervisão - não notam que o
gerenciamento da prevenção vai muito mais além do que as práticas cotidianas
e evidentes que todos conhecem. Isso ocorre wm boa parte dos casos pela mera
ignorância - mesmo naqueles locais onde tudo se faz para simplesmente
cumprir a lei - e gasta-se dinheiro sem perceber que os dispositivos da lei
quando cumpridos e entendidos podem perfeitamente auxiliar na administração
do negócio.

Há tempos atrás visitando uma pequena empresa comecei a perguntar a
liderança o que era o PCMSO. Perguntei isso a pelo menso 10 pessoas e ouvi
10 respostas iguais: ninguém sabia. Brincando perguntava depois a todas
aquelas pessoas se elas tinham carro - e a grande maioria respondeu que sim,
perguntei então se tinham por hábito quando compravam um carro usado leva-lo
ao mecânico para saber qual era o real estado do mesmo; perguntei ainda se
faziam manutenção preventiva. Obviamente a grande maioria das respostas foi
mais do que positiva. Expliquei a eles então - fazendo na sequencia do
assunto - que faziam aquilo para evitar maiores problemas e consequentes
despesas pelo agravamento de possiveis problemas existentes nos carros -
todos concordaram comigo. Guardada a devida proporção e respeito a vida e
dignidade humana - fiz um paralelo - explicando a eles que os exames médicos
ocupacionais são para os empregados que eles comandam tal como as revisões
são para os carros. Expliquei que o PCMSO é o Programa de Controle Médico de
Saúde Ocupacional, cujo objetivo é a promoção e a preservação da saúde dos
empregados. Foi muito interessante ver o quanto eles não haviam notado até
então que o PCSMO pode ser útil demais para a administração de pessoas -
ainda mais em tempos de mão de obra reduzida.

Vejam - através da experiência realatada acima - o quanto aquilo que fazemos
chega até as pessoas não como algo útil - mas como mera formalidade para a
qual não conseguem associar utilidade as dificuldades do seu dia a dia.
Estamos falando de uma das partes mais importantes das medidas de proteção.

Importante lembrar - já que começamos este texto falando sobre o EPI - que a
prática de proteger pelo meio individual ganha validade quando o
monitoramento dos resultados é feito nas verificações feitas na saúde do
homem. Com certeza os programas de inspeção de uso, a sinalização e outros
meios - são de imensa validade - mas nada poderá demosntrar melhor a
eficiência do uso do EPI do que o resultado dos exames médicos especificos e
feitos na forma adequada.

QUALIFICAÇÃO, HABILITAÇÃO E CAPACITAÇÃO COMO FERRAMENTAS PREVENCIONISTAS.

O conhecimento é um velho conhecido. Todos sabemos que para fazer algumas
tarefas e trabalhos é preciso ter alguns conhecimentos especificos. Também
para a prevenção de acidentes o conhecimento é algo imprescindivel para
fazer MELHOR e na forma MAIS SEGURA. Muitas são as empresas que investem uma
boa soma em dinheiro para manter programas de treinamento e qualificação.
Isso com certeza coopera para melhorias no tocante a prevenção de acidentes
- e portanto também faz parte do conjunto das Medidas de Proteção. Em
algumas empresas em especial há treinamentos e exigências especificas para
certas funções - consideradas de alta risco. Por fim, mesmo não havendo
qualquer tipo de treinamento dentro da empresa - com certeza sendo uma
empresa mais estruturada - existem os critérios de seleção de pessoal. Com
certeza quando define-se o perfil da vaga a ser aberta - nele embutem-se
requisitos que estão relacionados a prevenção. Um exemplo disso é quando
contratamos um eletrecista e exigimos que ele tenha formação, experiência,
etc.

Com certeza os profissionais prevenção de acidentes fazem muito mais do que
conseguem enxergar, sistematizar e divulgar. Infelizmente ainda não
conseguimos mostrar esta realidade e seus beneficios - e muitas empresas
ainda enxergam no PPRA, no PCMSO e outros programas prevencionistas apenas
meras formalidades, quando na verdade são instrumentos preciosos para o
gerenciamento do negócio.

Cosmo Palasio de Moraes Jr.

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