quinta-feira, 29 de abril de 2010

H2S O Gás da morte




Um dos mais temidos agentes de riscos encontrados em alguns campos de petróleo é o H2S. Também conhecido por Gás Sulfídrico, Gás de Ovo Podre, Gás de Pântano etc. ele Pode originar-se de várias fontes e muitas vezes é resultante de processos de biodegradação. Por exemplo, a decomposição de matéria orgânica vegetal e animal. Este gás já foi o responsável por diversos acidentes, sendo alguns deles fatais, pois é extremamente tóxico e inflamável, exigindo vigilância permanente e um plano de controle de emergência específico. Em algumas plataformas os empregados mantêm máscaras de fuga, presas a sua cintura durante as 24 horas do dia e disponíveis para uso a qualquer momento . Nós seres humanos também produzimos H2S e o exalamos através da respiração ( 25 a 200 ppb) e do trato intestinal (25 ppm).
Na indústria do petróleo o H2S poderá estar presente nos reservatórios de petróleo e nos campos onde há injeção de água do mar. Pode ser resultante de mecanismos de dissolução de sulfetos minerais, da decomposição de compostos orgânicos sulfurados etc. Outra fonte de H2S tem sido atribuída a atividade da bactéria redutora de sulfato – BRS, no interior do reservatório..
A contaminação por BRS das instalações de superfície – planta de processo e tanques – e também dos oleodutos por estas bactérias aliada a condições favoráveis ao seu desenvolvimento pode resultar em geração de H2S, como resultado de seu metabolismo. Condições do tipo: estagnação, anaerobiose (ausência de oxigênio), presença de nutrientes (fontes de enxofre, como o sulfato presente na água produzida e na água do mar) e temperatura adequada ao grupo de bactérias presente no meio favorecem o processo microbiológico. Este processo tende a ser mais intenso onde houver acúmulo de material sedimentável e borras.

Características

Muito tóxico
Incolor
Mais pesado que o ar
Tem odor de ovo podre a baixas concentrações, mas inibe o sentido do olfato em concentrações elevadas
Forma misturas explosivas com o ar
Ataca o aço e selos de borracha rapidamente
Também conhecido como gás sulfídrico e sulfeto de hidrogênio

Apesar do termo “gás” o H2S, que é solúvel em água, poderá estar na forma dissolvida e que, sob certas condições, é liberado para a atmosfera, sob a forma de gás. Este se for inalado, poderá causar danos à saúde dos seres vivos. Portanto, se o H2S está em contato com água, esta também o conterá, liberando-o para a atmosfera.
Por ter densidade maior que a do ar, são esperadas concentrações mais elevadas nos pontos mais baixos.

Exposição prolongada ao H2S poderá acarretar perda da sensibilidade ao odor, de intensidade variável de acordo com a concentração do mesmo. Então, uma pessoa exposta ao H2S pode pensar que a concentração do gás está diminuindo, quando na realidade poderá estar aumentando. A susceptibilidade ao envenenamento pelo H2S varia de acordo com a concentração e o tempo das exposições a este gás.

Aonde poderá estar presente?

Pode ser encontrado em processos de produção e refino de petróleo, sistemas de esgoto, indústria de papel, águas subterrâneas e numa variedade de processos industriais. Locais onde haja estagnação de água com quantidades variadas de matéria orgânica / nutrientes e em ambientes contaminados com bactérias, estão sujeitos a processos de geração de H2S. Portanto, tanques de slop, tanques com água produzida parada por muitos dias, anel de incêndio com água estagnada que não foi clorada e parada por alguns meses, etc.
Outros compostos sulfurados que geram odores desagradáveis tais como mercaptans e sulfeto de dimetila também poderão estar presentes em concentrações variáveis juntamente com o H2S. Desta forma, somente uma medição confiável poderá indicar a gravidade da situação.
A própria água do mar, que apresenta diversos grupos de bactérias, entre elas as BRS e nutrientes, se for mantida em condições de estagnação por longo tempo, poderá apresentar teores de H2S perceptíveis ao olfato humano.

Quais são os efeitos danosos ao homem?

Os efeitos de um intoxicação com este gás são sérios, similar aos do monóxido de carbono porém, mais intensos, e podem permanecer por um longo período de tempo podendo causar danos permanentes. Este gás tóxico paralisa o sistema nervoso que controla a respiração, incapacitando os pulmões de funcionar, provocando a asfixia.
Abaixo, são apresentados os efeitos do H2S nos seres humanos de acordo com a concentração:
Obs.: os efeitos toxicológicos dependem da concentração, duração, frequência das exposições e das condições físicas individuais.
Concentração de H2S (ppm) partes por milhão - efeito nos seres humanos
· 0,3 a 1,0 Detectável pela maioria das pessoas pelo sentido do paladar, mais do que pelo do odor.
· 3 a 5 Facilmente detectável. Odor moderado
· 8 Inicia processo de irritação dos olhos. Nível de exposição permissível para 8 horas de exposição
· 20 a 30 Odor forte e desagradável, mas não intolerável. Provoca tosse e imediata irritação dos olhos. Máxima concentração permissível para curto período de exposição (10 minutos por turno de 8 horas)
· 50 Pronunciada irritação dos olhos, garganta e pulmões, mas é possível respirar por alguns minutos.
· 100 Tosse, irritação dos olhos, perda do olfato após 2 a 5 minutos de exposição.
· 200 Inflamação nos olhos e irritação no sistema respiratório após uma hora de exposição
· 500 Perda da consciência e possível morte em 30 minutos a uma hora.
· 700 a 1000 Inconsciência imediata, paralisação da respiração e morte. Poderá resultar em danos cerebrais permanentes.
· 1000 a 2000 Inconsciência instantânea, com parada respiratória e morte em poucos minutos.A morte poderá ocorrer mesmo se houver remoção para ambiente não contaminado. Ocorrem danos cerebrais

Como detectar o H2S?

Formas de detecção de H2S na atmosfera:
1. Papel embebido em acetato de chumbo – qualitativo;
2. Tubos colorimétricos (bombas multi-gas) – quantitativo com margem de erro de 25 a 35%;
3. Equipamentos portáteis de detecção – para um tipo de g[as ou para até 5 tipos diferentes de gases (ex.: Five Star da MSA, GX 91 e GX 94 da Riken Keiki, Minigas 4 da Neotronics, entre outros;
4. Sistemas fixos de detecção – são sensores com células eletroquímicas distribuídas estrategicamente em locais onde há possibilidade de ocorrência de H2S, levando-se em consideração que o H2S é mais pesado que o ar.

Formas de determinação de H2S em água:
1. Papel embebido em acetato de chumbo – qualitativo;
2. Determinação pelo método iodométrico – determina sulfetos totais;
3. Determinação pelo método potenciométrico;
4. Kits de análise de H2S
5. Outros

O que fazer em caso de detecção de H2S?

1. Havendo suspeitas ou detecção de H2S em algum ponto da instalação, deverão ser adotadas as seguintes orientações:
2. Retirar-se do local e dirigir-se para local bem ventilado;
3. Comunicar imediatamente a sala de controle; A sala de controle devera acionar imediatamente o técnico de segurança;
4. O técnico de segurança deverá equipar-se com conjunto autônomo de respiração e detector portátil de gás para monitorar a presença do gás;
5. Confirmada a presença do gás, e dependendo da quantidade, o técnico de segurança acionará o plano de ação específico para cada caso;

Primeiros socorros

1. Equipar-se com conjunto autônomo de respiração;
2. Avaliar o local do acidente;
3. Havendo possibilidade, resgatar o acidentado e levá-lo para um local ventilado. Caso contrário, solicitar auxílio de uma equipe de resgate;
4. Requisitar a presença do técnico de enfermagem para dar continuidade aos primeiros socorros.

Recomendações gerais e medidas preventivas

· Evitar condições de estagnação de água de produção e água do mar, seja em vasos de pressão, tanques e linhas;
· Manter os sistemas que manuseiam água de produção com a menor quantidade de depósitos possível, através de limpezas mais freqüentes;
· Todo aditivo empregado em sistemas onde haverá pontos de estagnação ou confinamento, não deverá constituir-se de substâncias que possam vir a ser utilizadas como nutriente ou sofrer decomposição;
· Sempre que houver necessidade de drenar para a atmosfera água estagnada, seguir os procedimentos de segurança indicados para uma possível ocorrência de H2S, especialmente em ambientes confinados;
· Todos os envolvidos nas operações de sistemas de produção, armazenagem e transferência de óleo e água de formação devem conhecer os procedimentos de segurança, operacionais e de emergência utilizados em situações onde há presença de H2S;
· As instalações deverão estar equipadas com sistema de detecção e alarme, específicos para H2S, bem como placas indicativas alertando para uma possível exposição ao gás. A localização dos sensores deverá seguir as indicações efetuadas pela análise de risco;
· A concentração do H2S não deverá ser inferida apenas pelo odor, pois esta indicação não é confiável;
· Como o H2S tende a se acumular nos pontos mais baixos de uma instalação, é necessário intensificar os cuidados nestes locais;
· Incluir nos “briefing” de segurança e diálogos diários ou periódicos (DDS) os aspectos relativos a segurança em operações onde possa haver a presença de H2S;
· No caso de alarme de emergência devido a presença de H2S, o coordenador da emergência deverá observar a direção do vento para escolha dos melhores pontos de reunião;
· A utilização de máscara com filtro químico, tipo Parat II deverá se restringir aos casos em que a atmosfera apresente no mínimo 18% de oxigênio e a concentração de H2S não seja superior a 150 ppm. Deverá ser utilizada apenas como máscara de fuga;
· Todas as instalações deverão possuir birutas ou bandeirolas distribuidas pela unidade para facilitar a observação da direção do vento de qualquer ponto da instalação, inclusive à noite;
· Todo trabalho onde existe a possibilidade da presença de H2S deverá ser executado mediante emissão de PT (permissão para trabalho) emitida pelo supervisor da área e com o endosso do técnico de segurança, observando-se as disposições constantes neste documento;
· Deverão ser realizados treinamentos teóricos sobre H2S, práticos sobre a utilização dos equipamentos autônomos de respiração e simulados de emergência com H2S com primeiros socorros para todo o pessoal;
· Deverão ser instalados sensores fixos na sucção dos sistemas de VAC (ventilação e ar condicionado) e dos compressores de ar;
· Garantir que o sistema de ventilação e exaustão esteja operacional e de forma eficiente;
· Criar condições para facilitar a remoção rápida de pessoas intoxicadas dos locais de difícil acesso e da própria instalação;
· Realizar análise de risco para determinar os possíveis locais com presença de H2S;
· Prever facilidades para a instalação de ventilação forçada, bem como de meios de comunicação em locais confinados;
· Todos os trabalhos em locais onde há possibilidade de ocorrência de H2S deverão ser executados com a presença de pelo menos duas pessoas.
Legenda:

PPM = PARTES POR MILHÃO DE PARTES DE AR
PPB = PARTES POR BILHÃO DE PARTES DE AR

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