sábado, 22 de maio de 2010

Doenças ocupacionais na construção



Já diz o senso comum: "é melhor prevenir do que remediar". E é bom mesmo prestar atenção na sabedoria popular, já que muitos trabalhadores do ramo da construção civil estão sujeitos a contrair uma série de doenças diretamente relacionadas à sua ocupação. Felizmente, tais moléstias profissionais são, em grande parte, facilmente evitáveis, desde que alguns cuidados básicos sejam tomados.


O principal cuidado, concordam os especialistas, é o uso dos equipamentos de proteção, sejam as vestimentas (botas, luvas, capacetes, óculos, roupas impermeáveis, máscaras) ou os aparatos que limitem a ação de fontes excessivas de luz, som, vibração, calor, umidade, poeira e outras que podem causar danos à saúde dos trabalhadores.


Para ajudar a prevenir, é importante saber de onde podem surgir os problemas. "Podemos dividir as fontes de risco de doenças em físicas, químicas ou biológicas", explica o doutor Douglas de Freitas Queiroz, chefe do Departamento de Medicina Ocupacional do Seconci-SP (Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).


Riscos físicos.

Doenças de causas físicas são, em geral, contraídas por meio de exposição excessiva a fontes de ruído, calor, radiação, umidade, entre outros. Dentre essas, as que costumam causar danos mais freqüentes são as fontes de ruído, que provocam uma seqüência de perdas auditivas, até ocasionarem uma eventual surdez.


Estão sujeitos à diminuição da audição todos os trabalhadores que, completamente desprotegidos, são expostos a ruídos superiores a 85 dB por um período de 8 h/dia. Acima de 85 dB - mais ou menos o equivalente ao barulho de um liquidificador em funcionamento -, o tempo de tolerância ao ruído diminui drasticamente. Um trabalhador sem nenhum equipamento protetor, por exemplo, não deveria ser exposto a sons da magnitude de 116 dB - aproximadamente o barulho de um moinho de grandes proporções - por mais de 15 minutos.


O problema da perda de audição é a dificuldade de diagnóstico, já que o afetado não sente nada socialmente. O doente se acostuma com o ruído no ambiente de trabalho e só percebe que há algo de errado quando não mais consegue ouvir com perfeição a voz humana. Nesse estágio, a pessoa já perdeu cerca de 50% da capacidade auditiva.


Para evitar tal moléstia, o importante é diminuir ou a intensidade do ruído ou o tempo de exposição: basta usar anteparos ou abafadores, de preferência, individuais.


As LER (Lesões por Esforço Repetitivo, um conjunto de doenças que incluem a tendinite, a bursite, a tenossinovite) constituem outro problema bastante freqüente. Trata-se de um fenômeno complexo, causado por uma porção de fatores, inclusive psíquicos, já que o estado mental da pessoa pode influir na força física que ela emprega durante o trabalho.


Apesar do fato de tais lesões - assim como a lombalgia, adquirida por carregamento de peso de modo inadequado, que causa problemas de coluna e desgaste da musculatura vertebral - também possam ser adquiridas por meio de acidentes de trabalho, é mais comum surgirem de maneira crônica, pela execução maciça de movimentos repetidos. O método de prevenção mais difundido é a adoção de pausas regulares e de exercícios de alongamento nos quais sejam realizados movimentos contrários aos que são feitos durante o trabalho.


A exposição constante a vibrações é outro fator causador de doenças ocupacionais. O trabalho com bombas de lançamento de concreto ou rompedores, por exemplo, pode causar danos à audição e à circulação nos membros superiores, além de microrrompimentos, inclusive nos ossos. O uso de luvas é uma das proteções a serem adotadas, mas o melhor é trabalhar com equipamentos que possuam atenuadores de vibração.Outra fonte de risco é a exposição às radiações, que se dividem em ionizantes e não-ionizantes. As primeiras (raios X, raios gama), com maior poder de alteração de células, são extremamente raras na construção civil, mas as segundas (ondas ultravioleta, infravermelha, microonda, freqüências de rádio) são mais fáceis de serem encontradas. A luz produzida pelo trabalho com uma solda elétrica, por exemplo, pode causar alterações de pele (vermelhidão) ou, em casos mais raros, afetar órgãos internos, como os testículos. Nesse caso, há diminuição da produção de espermatozóides.


Mas a doença mais comum causada pela radiação é um tipo de conjuntivite, caracterizada por ardor nos olhos, que surge após duas ou três horas de trabalho sem proteção. "O soldador normalmente não é afetado, pois usa óculos protetores. O mais visado é o assistente", lembra o doutor Queiroz.


Catarata e cegueira seriam as conseqüências mais drásticas da exposição desprotegida à luz forte. Por sinal, o Sol e outras fontes de calor também podem causar insolação, problema facilmente evitável com o uso de capacete.


Outro agente físico que pode causar distúrbios é a umidade, em geral, mais presente em trabalhos realizados no subsolo, que afeta as defesas do organismo, provocando queda de imunidade. Sob tais condições, fica mais fácil adquirir doenças infecciosas, além de problemas como o reumatismo.


Um pouco mais raros são os problemas decorrentes do trabalho em condições hiperbáricas - em ambientes de grande pressão atmosférica -, como em plataformas submarinas, por exemplo. Os problemas decorrentes são lesões no ouvido, nos ossos (o fêmur é um dos mais atingidos) e a embolia gasosa, evitada com uma paulatina descompressão ao sair da água.


Riscos químicos e biológicos.

Enfermidades causadas por agentes químicos surgem, em geral, do contato com tintas, solventes e outros produtos. Uma das mais comuns é a dermatite de contato. "É causada pela alergia a um produto químico presente no cimento", explica o doutor Anacleto Valtorta, médico do trabalho do Hospital das Clínicas de São Paulo.


O produto chama-se bicromato e, em contato com a pele, provoca coceiras, vermelhidão e até mesmo o aparecimento de vesículas. "Uma pessoa pode desenvolver a alergia de início ou ser exposta ao bicromato por anos até desenvolver a doença", explica o doutor Queiroz. Portanto, recomenda-se cuidados básicos, como não deixar cair cimento dentro da bota.


As pneumoconioses, doenças pulmonares causadas pela inalação de diversos tipos de poeira, também são razoavelmente freqüentes. As mais conhecidas são a antracose (causada por aspiração de carvão e de fuligem), a asbestose (em decorrência da inalação de fibras de amianto) e a silicose (pela absorção da sílica livre, presente na areia). Essa última é a mais comum (já que o amianto está em desuso), e os sintomas são falta de ar e tosse. Mas essas doenças não são detectadas em consultório: em caso de suspeita, é preciso fazer um exame de raio X do tórax para confirmar as alterações nos pulmões.


Outro exame de praxe que ajuda a diagnosticar moléstias causadas por agentes químicos é o hemograma. A falta de glóbulos brancos ou de plaquetas no sangue pode ser indício de intoxicação causada por tintas, solventes, esmaltes ou óleos. Os sintomas são náuseas e fraquezas e o melhor modo de prevenir os problemas é o uso de máscara ao lidar com esses produtos.


Já os agentes biológicos são menos comuns no trabalho em construção civil, a não ser que se trate de uma obra em lugares insalubres, como o esgoto, por exemplo. Qualquer contato com bactérias ou vírus pode desencadear diversos tipos de doenças. Novamente, a regra de ouro é a prevenção.


Fonte: piniweb.com.br

sábado, 8 de maio de 2010

Obra do Metrofor desaba e mata dois operários no Centro da Capital de Fortaleza

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e iniciaram o trabalho de resgate das vítimas por volta das 2h15min


08 Mai 2010 - 09h16min
Dois operários morreram e um ficou ferido depois que parte da obra da Estação João Felipe, do Metrô de Fortaleza (Metrofor), desabou na madrugada deste sábado, 8, no Centro da Cidade. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e iniciaram o trabalho de resgate das vítimas por volta das 2h15min. A operação foi finalizada às 6h30min.

Segundo informações preliminares, o acidente teria ocorrido enquanto os operários concretavam um laje em uma área de aproximadamente 100 metros quadrados. A vítima que ficou ferida, identificada como José Wellington Apolônio, foi encaminhada ao Instituto Doutor José Frota (IJF) com fraturas múltiplas.

Na manhã deste sábado, o secretário de Infraestrutura do Ceará, Adail Fontenele, afirmou que houve falha de algum sistema e que o caso será apurado para que sejam cobradas das construtoras as medidas cabíveis. “Esse tipo de fato não é nunca esperado, não é normal”, disse ele para o Blog do Eliomar.

O secretário adiantou que já entrou em contato com o Consórcio Metrofor (Construtoras Queiroz Galvão e Camargo Correa) para se inteirar do quadro e acompanhar o caso. “A gente lamenta esse fato, as perdas. Fui informado há pouco sobre isso e vamos apurar tudo”, reiterou Adail, sem dar maiores detalhes. Segundo ele, caberá ao consórcio arcar com as responsabilidades devidas.

No acidente, morreram os operários Antônio Rafael Rodrigues Pereira, 36, e José Ventura Martins, 45.

Nota

Em nota oficial divulgada na tarde deste sábado, a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos afirma que será aberta sindicância na Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra) para apurar as responsabilidades do acidente.

De acordo com a nota, a Companhia está adotando providências junto ao consórcio construtor para que seja dada assistência às famílias das vítimas.

A direção do Metrô de Fortaleza já solicitou ao CREA-CE a realização de uma perícia no local do acidente para saber as causas do mesmo.

Fonte: O POVO Online.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Indenização.


Degustador de cerveja alcoólatra é indenizado em R$ 100 mil

São Paulo - Um empregado da Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) receberá R$ 100 mil de indenização por ter agravado sua dependência de bebidas alcoólicas durante o período em que trabalhou como degustador de cerveja.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou que houve responsabilidade da empresa pelos danos causados à saúde do trabalhador, pois a companhia, quando o designou para essa função, sabia da sua predisposição familiar à síndrome de dependência do álcool (SDA), da qual já era portador.

Funcionário da Ambev no período de dezembro de 1976 a outubro de 1998, quando foi aposentado, o trabalhador gaúcho ajuizou ação de reparação de perdas e danos por ter sido exposto à ingestão de 1,5 l de cerveja diariamente, segundo o TST.

O degustador de cerveja alegou que é impossível a reversão de seu estado de saúde, pois é hoje portador, além da SDA, de cirrose hepática e diabetes, e necessita de tratamento imediato e permanente. Ele disse ainda que a ingestão diária de bebida imposta pelo trabalho agravou a sua dependência etílica, impedindo que deixasse o vício.

Para o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), que condenou a empresa à indenização, confirmada agora no TST, se o autor já era portador da síndrome antes de exercer a função de degustador, a atividade não poderia ser atribuída a ele.

Segundo o laudo de perícia, a empresa não fiscalizava a quantidade de cerveja ingerida pelo empregado nem adotava medidas de prevenção e tratamento do alcoolismo. O empregado ainda teria recebido uma garrafa de cortesia todos os dias ao final do expediente, em virtude de acordo entre a fábrica e o sindicato. Procurada, a Ambev ainda não se manifestou sobre o caso.

Fonte: Portal Terra

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